segunda-feira, 29 de maio de 2017

o ser da noite das coisas

nunca

se reconhecerá

o mistério

de sentir

à pele

o acúmulo

da madrugada.

por que

pensar

que nos é

despistado

toda noite

essa parte

do mundo?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

há o sol

na noite.

ele não

se põe. só 

a ocupar

o dia.

com uma

luz 

quietinha

conta

a parte clara

das histórias.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

quando eu queria menos

e não sabia.

quando tudo era

desconhecidamente

cinza.

quando parecia

haver mais de

cinquenta mil dias.

quando

quando era

exatamente inalterável.

terça-feira, 23 de maio de 2017

existe uma linha

invisível

indivisível

para entender

o mundo.


há outra linha

que divide e

mede o tamanho.


há ainda

uma linha

nem inventada

de tão incompreensível.

uma expectativa

do vocabulário

de explicar

a sem margem

das coisas

exato faz a água:

de mar

lentamente

está ar.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

na epiderme

estão

todos os velcros

da atriz.

a predestinação

de todos

os movimentos,

rugas

e ineditismos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

as gotas da chuva

são o disfarce

da preguiça.

só há uma farsa:

gostaria de ser quente,

mas é gelada.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

a sinapse
faz doer
um corpo inteiro

o entendimento
da vida
é de múltiplos órgãos.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

segunda-feira, 15 de maio de 2017

a fotografia

pode ser a brincadeira

de estátua

das coisas eternamente

paralisadas.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

microcontos 2

descobriu, na solidão, a delícia de se pôr à tarde, à mesa, em um banquete individual.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

microcontos 1

cantou um pássaro e pareceu assim que só agora era manhã.

o amor era a posição que ela escolhia para ver o luar.

era ali, no cotidiano, que ficavam as impressões digitais daquele amor.
das preguiças

surgem as ideias

que as novidades

[antes de nascer

precisam de

[horas de descanso

e um punhado de bocejos.
uma linha

para os míopes

vira um artrópode

neste momento

a linha se exalta

pois

num momento real

ela foi viva

perfeitamente adequada

aos pré-requisitos animais:

a definição humana.
dentro do corpo

não há muito espaço

o corpo não é oco

em alguns, cabe um bebê

em outros, se ajeita uma doença

mas, se cortada dele uma parte,

verá sempre todas as partes ocupadas.
a segunda-feira destoa dos amores

da invenção de dois lençóis na cama

das inutilidades mais importantes

do cheiro da vida

que é o que impregna na memória.
o corpo nunca esteve nu

nele tange

além das roupas

uma concentração

aleatória e póetica

sem medicina

e relatório

que é a razão pela qual

existem todas as ideias.
não sei como o

céu se ajeita

a fazer 29 graus.
quero manter

[as mãos livres

desse invisível

quilograma de vida

que ocupa até

as linhas

das palmas

como uma poeira

sem alergia

da qual nunca desapegamos.
o tempo da poesia

é um intervalo

entre coisas desimportantes.
o rabisco

não é a melhor versão

do verso.

contemporaneidade

nem tudo

o que gosto

é natural.

a soma

da natureza à natureza

até perder a

genealogia,

como as cidades

é bem bonita

de se ver.

água

todas as

histórias

todos os

eventos

aconteceram

por, algum

momento,

a água

protagonizá-los

medo da morte

o amor

também é morte

um sabor de luto

um batimento

a menos

que a gente

já sente falta

mas doa ao

[outro

ainda assim.
as borboletas

são frutos.

ficam paradas

para baixo

como acrobatas.


em vez da lona

colorida

valem suas

asas

em vez do sabor

preferimos sua delicadeza

todos os segredos estão batizados

todo mundo tem

uma aberração

que visita ou não

o espelho.

alguma coisa estranha

no corpo

que até pode

ser um segredo

mas para ela

alguém já criou

um nome.
a mata

não tem estrada.

seu início

já não dá pé.

não é convidativa

porque não tem caminho.

seu trânsito

é para outro

movimento.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

o escuro
fala outra língua
inventa 
outros sentimentos

a repentina
inutilidade dos olhos
parece necessária

para aprender
essa linguagem 
envolta sempre
de muito silêncio
e uma fala
de órgãos
traduzida
por cada eu.