domingo, 6 de outubro de 2013

as palavras repetidas sobre o amanhã

amanhã não é um mistério.

amanhã pode ser, inevitavelmente, como ontem. o dia muda de número, o dia muda de nome, mas não tem mais seu "tal" de ineditismo.
por que parecemos desvendar antecipadamente o dia? é perigo ou magia confirmar os acontecimentos do amanhã?

não tive mais a sensação de que o surpreendente ocorre a qualquer momento. quanto vivemos a fim de um dia deste? mais vale ele do que a vida inteira?
a vida, então, é esta espera. a felicidade é o encontro com o ineditismo de algum dia. o resto é segunda-feira cheia de perguntas. a felicidade então não é continuidade, ela não pode ser um ano de felicidade. felicidade é o que se percebe quando se passou. a felicidade não é consciente. assim, os desejos devem ser breves também, porque vontades realizadas por mais de três dias voltam a ser ontem.

e todas as coisas de ontem ainda permanecem, nada desfalece em poucas horas. a vida, assim que expira, ainda parece viva. e ainda assim, precária, resta convidá-la à dança, o cotidiano do dia é nossa culpa e não de suas 24 horas.


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